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30 de julho de 2007

... nem mais!

People are more violently opposed to fur than to leather because it's safer to harass rich women than motorcycle gangs.

Cuidado com as imitações!...

Tenho um cachecol feito de bolinhas de pelo de coelho que adoro. É quente, fofinho, e das coisas mais aconchegantes que se pode usar à volta do pescoço. Há uns anos uma colega de faculdade pediu para vê-lo, e comentou horrorizada "é de pele verdadeira! Não tens pena dos pobres bichinhos?"

A minha resposta foi instintiva, "Não!? Eu adoro coelho guisado, e quando fazem o desmanche dos animais não deitam as peles fora. Além de que se reproduzem que nem coelhos!" E olhei significativamente para a pasta dela, de pele de avestruz. Ela apressou-se a esclarecer que era falsa.

Não será pior andar com peles falsas do que com verdadeiras? Ok, não se mata nenhum animal para se fazer uma pele falsa, mas acabam continuar a promover os objectos de pele. Além de que uma pessoa que realmente respeita os direitos dos animais e tem tantos "furnicoques" com peles, deveria manter a milhas tudo o que se assemelhasse a elas. Sei lá, andar vestida de sacos de plástico ou de pano reciclado... Para mim, é uma hipocrisia, e uma maneira de tirar dois pesos da consciência: o de parecer ser politicamente correcto, e o de não ter dinheiro para comprar o artigo genuíno.

Os casacos de pele também merecem respeito!

Estava a ajudar a minha mãe a decidir se levava ou não o casaco de peles a uma recepção formal. Acabei por comentar "leva! Também, não devem lá estar aqueles maluquinhos que gostam de pintar casacos de peles com spray verde!"

E isso fez-me pensar. Os maluq... quero dizer, os activistas da PETA e outras associações dos direitos dos animais são contra fazer-se casacos de pele. Costumam fazer anúncios com modelos desfilar com casacos de animais a escorrer sangue, e t-shirts com modelos sem roupas a dizer que gostam mais da sua pele. Até aí tudo bem. Estão a ser coerentes.

Depois vem a parte que estraga tudo. Resolvem libertar os animais que estão em gaiolas à espera de se transformarem em casacos, não ligando a mínima ao facto de os animais estarem fora do seu habitat. Num dos países da ex-URSS libertaram um grande grupo de visons, devolvendo-lhes a liberdade. Só foi pena terem sido forretas e não comprarem os bilhetes de volta para o seu país de origem, na América do norte. Ah, e em caminho quase que causaram a extinção dos visons locais. Estes, por não estarem em cativeiro, não tinham o mesmo direito à vida? Que raio de activistas dos direitos animais são esses, que só ligam aos direitos dos prisioneiros, e não à dos animais livres?!?

E por falar em direitos animais, a mim parece-me uma hipocrisia defender os seus direitos em vida, e dessacrar de uma forma profana e pouco respeitadora os seus restos mortais cuidadosamente conservados!! Afinal de contas, os pobres visons, raposas, astracans e afins sacrificaram a sua vida, de que os casacos das respectivas peles são testemunha. Não seria mais lógico idolatrar esses símbolos do martírio, coloca-los num museu ou até num altar? Em vez de os queimar e borrifar com latas de tinta, mostrando absoluto desrespeito e falta de consideração pelo sacrifício dos pobres animaizinhos que se sacrificaram para que alguem andasse quentinho e a exibir um status symbol?

Promover a imagem de que não se devem matar mais bichinhos só para se terem casacos de peles, tudo bem. Destruir os que já existem é que não! Respeitem os mortos! Os casacos de pele têm a sua dignidade!!!! Ao menos um funeralzinho, com direito a caixão em metal, para respeitar os direitos das árvores.

Sim, porque matar uma árvore para poder enterrar um animal morto é um absurdo!